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    Fique por dentro... Jundiaí 05/09/2010  
     
Após ano diferente na ATP , 2009 pode consolidar nova ordem no tênis masculino.

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Depois de quatro anos de pleno domínio de Roger Federer, 2008 trouxe novidades e mudanças significativas no cenário do tênis masculino. Para o ano que se segue, as previsões indicam a manutenção desta nova ordem, a descentralização na disputa pelos principais torneios e o ganho considerável de emoção no circuito.

Para quem reclamava da falta de rivais para impedir os recordes do suíço, as subidas de Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray recolocaram o tênis em fase semelhante ao do início da década, quando Gustavo Kuerten, Marat Safin, Lleyton Hewitt, Pete Sampras e Andre Agassi dividiam as principais glórias, ou ainda ao dos anos 90, quando as ainda “revelações” Sampras e Agassi se degladiavam contra Stefan Edberg, Boris Becker e Ivan Lendl.




Mesmo tendo perdido espaço, Federer segue no centro das atenções do tênis, seja pela expectativa da “ressurreição” ou por dúvidas em relação ao fim definitivo de seu reinado. De qualquer forma, tem objetivos extremamente ousados para 2009, como a recuperação do principal posto do ranking e a quebra do recorde de títulos de Grand Slam de Sampras (ainda lhe faltam duas taças).

Outros “secundários” seriam a conquista em Roland Garros, para fechar o Grand Slam, e a volta por cima em Wimbledon, onde dominou por cinco anos seguidos até cair na épica final contra Nadal em julho. Para concretizar tais sonhos, conta com pontos positivos, como o fato talvez inédito de jogar sem pressão e sem a obrigação de olhar para o ranking, além, claro, da motivação em provar que ainda é o melhor.

Em contrapartida, vê agora mais do que um rival concreto. Além do carrasco Nadal, Murray o derrotou em três oportunidades e Djokovic se deu bem na semi do Aberto da Austrália. Mais ainda, viveu em 2008 situações que podem pesar mais para frente, como as dores nas costas sentidas em outubro, em Paris e na Masters Cup, e a mononucleose, que impediu preparação ideal para a série de eventos na Austrália. Aos 27 anos, tem a experiência a seu favor, mas uma idade ligeiramente avançada em um circuito cada vez mais jovem e atlético.


Federer começou no topo, com esperança de manter a média de quase três títulos de Grand Slam por ano e pulverizar a marca de Sampras. Mas logo no início caiu na Austrália e sofreu derrotas “estranhas” para Mardy Fish e Andy Roddick em Indian Wells e Miami. Sua primeira taça veio no fraco evento de Estoril, mas o 6/0 na final de Roland Garros voltou a mexer com seu moral.

A maior decepção, no entanto, veio em Wimbledon, onde perdeu um dos maiores jogos de todos os tempos para Nadal. A crise culminou na perda do número 1 em agosto e na decepção nos Jogos Olímpicos. Na última chance em um Grand Slam deu a volta por cima, faturou o penta no US Open e em seguida o tri na Basiléia, calando boa parte dos críticos. Até o final do ano jogou pouco, em período que ficou marcado pelas dores nas costas e a eliminação inédita na fase de grupos da Masters Cup.


Em 2009, Federer segue como grande aposta nos Grand Slam. Na Austrália, onde é tricampeão, deve ter Djokovic ou Murray na semi, em tendência que deve se repetir em outros eventos. Se conseguir fazer boa preparação desta vez, entra novamente como maior força. Já Wimbledon tem tudo para revê-lo no topo. Com caminho livre em termos de pontos, pode se dar bem nos “1000” de Montreal e Cincinnati e travar bons duelos no US Open. Melhor ainda, com o espaçamento entre os dois últimos “1000”, de Xangai e Paris, pode enfim conquistar o inédito título na capital francesa.


No saibro suas chances aparecem cada vez menores, fato que ficou claro na campanha irregular em Roland Garros neste ano e na vergonhosa derrota na final para Nadal. Mesmo que ainda seja o “número 2” na terra, dificilmente terá capacidade para destronar o espanhol ou repetir boas campanhas do passado. Para piorar, Hamburgo, um de seus torneios preferidos, perdeu status de “1000” e ele nem deve aparecer mais por lá.


1 – posição que ele tentará recuperar no ranking mundial
14 – títulos de Grand Slam que espera chegar para ao menos igualar Sampras





Atual líder do ranking, Nadal é também o número 1 em humildade e insiste em dizer que Federer ainda é o homem a ser batido. Tática ou não, espera repetir em 2009 a espetacular temporada que realizou neste ano, para se manter o máximo de tempo possível no topo e confirmar o início da nova era no tênis masculino.

Para isso, terá de repetir campanhas sólidas em todos os meses e não se ater apenas às conquistas no saibro, como aconteceu no passado. Ganhou “presente” do novo calendário com a passagem do “1000” de Madri para o piso lento e entra de novo como maior (talvez único) favorito em Roland Garros, com esperanças de se tornar o primeiro pentacampeão consecutivo do torneio e superar o feito de Bjorn Borg de quatro seguidos.

Talvez até mais do que Federer, o que pesa contra é o físico. Depois de ser alvo de boatos sobre possíveis lesões antes de 2008 e responder com oito títulos e feitos históricos, Nadal terminou a melhor temporada da carreira em baixa. Com tendinite no joelho, desistiu de Paris, do Masters e não pôde jogar a final da Copa Davis, aumentando as especulações sobre se seu corpo aguentará outra série de desafios e semanas intensas de jogos.


O ano que seria o maior de sua carreira começou com derrotas na final de Chennai (para Mikhail Youzhny), na semi da Austrália (para Jo-Wilfried Tsonga) e com decepções em Dubai, Indian Wells e Miami. Mesmo já se destacando, o jejum de títulos persistia e só foi encerrado com a chegada dos torneios no saibro. Com novo domínio absoluto, conquistou Monte Carlo, Barcelona, Hamburgo e Roland Garros.

Mas foi exatamente fora da terra batida que Nadal iniciou sua caminhada rumo ao número 1. Sem descanso após Paris, foi campeão em Queen’s e espantou o mundo ao derrotar Federer na decisão de Wimbledon, após quase 5h. Restava apenas a consolidação do status adquirido, que veio após título em Toronto e semi em Cincinnati. Nadal era o novo número 1, com direito a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e semi no US Open. Após descanso, não conquistou mais títulos e se contundiu no final, perdendo a chance de jogar o Masters e a final da Davis.


Um apostador conservador pode prever o sucesso do espanhol apenas no saibro, em eventos com sua assinatura (Monte Carlo, Barcelona, Roma, agora Madri e Roland Garros). Como a lesão no final deste ano pode comprometer a preparação em dezembro, considerá-lo favorito na Austrália seria um risco. Já em Indian Wells e Miami as chances são maiores, assim como em Montreal e Cincinnati. Com um calendário menos carregado que o de 2008, também pode dar a volta por cima no US Open e enfim mostrar aos críticos norte-americanos seu valor no piso sintético. Ainda no final do ano, terá de superar desafios para se manter no topo, como vencer ao menos um grande torneio na Ásia: o “1000” de Xangai ou o “500” de Tóquio.


Talvez mais que na Austrália, US Open ou Miami, Nadal terá dificuldades para conquistar o bicampeonato em Wimbledon. Agora como o novo “rei da grama”, o espanhol vai enfrentar não só um Federer mordido, mas um Murray cada vez mais forte e disposto a brilhar em casa diante da fanática torcida. Ao mesmo tempo, uma derrota na semi ou na decisão do Grand Slam britânico não seria uma catástrofe e manteria seu ótimo retrospecto no torneio.


5 – pode chegar ao penta consecutivo em Roland Garros
33 – com mais dois títulos, Nadal igualará Manuel Orantes, maior vencedor espanhol





Cada semestre de 2008 teve um “coadjuvante” de peso. A primeira metade viu a consolidação definitiva de Djokovic com as conquistas do Aberto da Austrália e Indian Wells. Já a segunda trouxe o amadurecimento de Murray, com o vice no US Open e títulos em Cincinnati e Madri. Dois talentos de 21 anos que não devem recuar em 2009. Pelo contrário, vão brigar de forma ainda mais contundente com os até então intocáveis Federer e Nadal.

Para Djokovic, as metas também são grandes. A mais imediata – e talvez menos importante – é enfim sair da “eterna” condição de número 3 e chegar pelo menos à vice-liderança no início do ano. Para isso, precisa superar os 10 pontos de desvantagem contra Federer e vencer um jogo a mais que o suíço em janeiro. Ao mesmo tempo, sonha em alcançar o topo mais tarde, mas precisará de títulos no meio do ano, maior regularidade e uma preparação física superior.

Murray tem caminho livre no primeiro semestre por ter oscilado nesta parte de 2008. Nesta fase, terá boas oportunidades na Austrália e nos Masters Series nos EUA, mas precisará novamente dos conselhos de Alex Corretja para brilhar no saibro. Muito mais forte e confiante após ter batido Nadal, o próprio Djokovic e Federer em três oportunidades, viverá em 2009 um ano diferente, em que defenderá muitos pontos no segundo semestre e enfrentará a pressão de ser um dos grandes.


Djokovic abriu de forma espetacular e disparou na liderança da Corrida dos Campeões ao vencer Melbourne e Indian Wells. Sua outra grande cartada veio no saibro de Roma, onde aproveitou as ausências de Nadal e a queda de Federer. O embalo dos primeiros meses acabou em Wimbledon, com derrota decepcionante para Marat Safin logo cedo. Desconcentrado, não foi o mesmo em Toronto, Cincinnati e Olimpíadas e parou no empolgado Federer no US Open. Distante do sonho de chegar ao número 1, conseguiu o último destaque em Xangai e o título da Masters Cup.

Já Murray teve ano totalmente inverso. Mesmo tendo largado bem em Doha e Marselha, tornou-se a primeira vitíma de Jo-Wilfried Tsonga na Austrália e chegou a sair do top 20 em abril. A virada veio com as quartas em Wimbledon, semi em Toronto e o inesperado título em Cincinnati. A partir daí, firmou-se como top 4 ao chegar à decisão do US Open, brilhar em Madri e fechar a temporada com a incrível vitória sobre Federer na Masters Cup, mesmo que tenha parado na semifinal.


Para Djokovic, Melbourne pode ser o torneio perfeito para assegurar seu futuro entre os grandes. Vindo do título do Masters, certamente entrará embalado e com belas memórias da campanha de 2008. Mais à frente, tem tudo para repetir bons momentos nos “1000” dos EUA e mais tarde em Montreal e Cincinnati. Talvez sua grande aposta seja mesmo o US Open, se ainda estiver bem fisicamente entre setembro e outubro.

Em relação a Murray, a temporada se mostra mais aberta, com Austrália, US Open e os “1000” de Indian Wells, Miami, Montreal e Cincinnati entrando na lista dos eventos em que pode se dar bem. No entanto, seu foco estará em uma competição específica: Wimbledon, onde tentará encerrar o jejum britânico (o último campeão foi Fred Perry, em 1936) e superar os feitos de Tim Henman, que nunca passou da semifinal. Em 2008, teve seu melhor resultado no All England Club e parou apenas no campeão Nadal, nas quartas.


Com estilos semelhantes, Djokovic e Murray já vêem dois torneios como talvez aqueles em que nunca brilharão. Para o sérvio, Wimbledon é um grande desafio, como ele mesmo deixou claro ao garantir que não se adaptava da melhor forma à grama. A derrota para Safin na segunda rodada deste ano deixou bem claro o sentimento.

Já o britânico parece não ter a mesma eficiência no saibro e dificilmente terá condições de se dar em algum evento entre abril e junho. Neste ano, contratou Corretja como conselheiro e conseguiu resultados até satisfatórios, mas longe do ideal para um top 3. Roland Garros, então, seguirá como sonho distante.


2 – Para Djokovic, quebrar a marca de eterno terceiro colocado e ao menos subir um degrau no ranking
73 – o número de anos que Wimbledon aparece sem um campeão britânico. Murray tentará quebrar a escrita.





Davydenko, Tsonga, Simon, Roddick e Del Potro
Um dos grandes objetivos do segundo escalão do tênis masculino deve ser se aproximar do top 4. Mas num bloco em que estão Nikolay Davydenko, Jo-Wilfried Tsonga, Gilles Simon, Andy Roddick e Juan Martin del Potro, cada um entra com metas secundárias e riscos diferentes.

Depois de ter oscilado 2008 entre o número 4 e 6, fica difícil imaginar que Davydenko consiga, aos 28 anos, elevar o nível ao ponto de brigar pelo top 3 com Nadal, Federer ou Djokovic. Para o russo, a esperança é manter a solidez que o caracterizou nos últimos anos, com resultados expressivos em todos os pisos. Eventualmente, conseguirá semanas de alto nível, como a de Miami e da Masters Cup deste ano. Desta forma, também não deverá sair do top 10 e ainda incomodará alguns grandes nomes com seu jogo potente de fundo de quadra.

Grande revelação da temporada, Tsonga tem de cara um problema em janeiro: defender o vice-campeonato do Aberto da Austrália. Se conseguir boa campanha, certamente entrará mais animado e solto para outros torneios “1000” e US Open. Outra aposta é se ele vai escapar das lesões. Neste ano, perdeu três meses após sofrer artroscopia no joelho, o que ao menos significará caminho sem pontos em Roland Garros e Wimbledon em 2009. Tenista mais explosivo do circuito, terá certamente o apoio da torcida em diversos torneios, para provar que seu bom momento de 2008 não foi apenas passageiro.

Assim como Tsonga, Simon é outro tenista imprevisível, mas que agora entrará na condição de top 10 e sem ser a mesma incógnita da última temporada. Com seu jeito despojado e aparentemente despretencioso, pode surpreender se mantiver a confiança do segundo semestre, quando entrou no top 20 com semis em Toronto e no Masters, vice em Madri e vitórias maiúsculas sobre Federer, Nadal e Djokovic. Ao contrário do compatriota, tem caminho livre no primeiro semestre, sem grandes pontos a defender.

Em caso que se assemelha ao de Davydenko, Roddick chega a 2009 com grandes dúvidas cercando seu nome. Seria o norte-americano capaz de voltar ao top 5 ou ao top 3? Desde o final de 2002 como um dos 10 melhores, o tenista de 26 anos não conquistou nenhum título impactante nesta temporada e seu poderoso saque não tem mais sido um diferencial contra os grandes rivais. Sua esperança pode estar na contratação de Larry Stefanki, técnico que levou jogadores como John McEnroe, Marcelo Ríos e Yevgeny Kafelnikov ao topo do ranking.

Para Del Potro, 2009 será de muito trabalho. Após brilhar com quatro títulos seguidos, sair do número 80 em abril para o top 10 e disputar a Masters Cup em novembro, o argentino terá não só a defesa dos pontos pela frente, mas também a responsabilidade de ser o número 1 argentino e de se firmar como realidade no circuito. Com jogo versátil, porém, pode se firmar se for bem nos Grand Slam. Potencial para isso ele tem.




Monfils, Cilic, Ancic, Bolelli e Gulbis
Entre os tenistas que podem surpreender em 2009, dois aparecem com resultados consistentes e outros ainda precisam confirmar as expectativas depositadas sobre eles. De cara, a esperança para o top 10 nos próximos meses é Gael Monfils.

Após algumas temporadas com o eterno status de promessa, o tenista de 22 anos finalmente obteve destaque e fechou como 14º do mundo depois de lesões e da saída do top 60 em abril. Após jogar challengers, brilhou com a semifinal de Roland Garros e perdeu a chance de conquistar o segundo título da carreira em Viena. Sem pontos a defender até maio, tem tudo para aproveitar a queda de outros jogadores e pelo menos em algum momento marcar seu nome entre os 10 melhores.

Outro que vem no embalo é Marin Cilic. Com 20 anos, o tenista de 1,98m despontou com semi em Nottingham, oitavas em Wimbledon e quartas em Toronto, mas foi em New Haven que conquistou o primeiro título da carreira. Ao contrário de Monfils, defende muitos pontos em janeiro (semi em Chennai e oitavas na Austrália), mas pode tranqüilamente subir mais à frente se mantiver o alto nível.

Já Mario Ancic terá de novo de lutar contra os problemas de saúde para se firmar. Com estilo agressivo, ótimo saque e completo tanto no fundo como na rede, o croata deixou o número 135 e foi ao 24º em julho, após quartas em Wimbledon. No entanto, sofreu novamente com doenças, pouco jogou até o final do ano e voltou a cair. Aposta de risco apesar de seu enorme potencial.

Para Simone Bolelli 2008 foi mais um ano de aprendizado, mas que pode render frutos a partir de agora. Com jogo extremamente potente, precisa controlar o lado psicológico para despontar. No saibro, deve conseguir alguns bons resultados e tem tudo para deixar a condição de top 40. Na mesma linha, Ernests Gulbis é apontado como futuro top 10, mas ainda segue mais nas esperanças do que nos resultados. Neste ano foi às quartas em Roland Garros e provou que pode jogar em qualquer piso. Com saque poderoso e estilo completo, deu trabalho a diversos jogadores grandes e sonha com o primeiro título.



fonte  : Tenisbrasil
 
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